Cap. 2 - MTODOS DE PESQUISA EM PSICOLOGIA
MTODOS DA PSICOLOGIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
 descrever a seqncia tpica de etapas da pesquisa em Psicologia;
 conceituar varivel independente, dependente e de controle;
 caracterizar cada um dos mtodos bsicos de pesquisa em Psicologia: experimentao, 
observao, teste, levantamento e estudo de caso, incluindo suas principais vantagens e 
limitaes;
 apontar os principais empregos da estatstica em Psicologia;
 indicar a posio geral da Psicologia quanto  questo tica da investigao psicolgica.

Conceituou-se Psicologia, no captulo anterior, como cincia do comportamento. A 
primeira vista, este conceito parece excluir do m bito de estudo da Psicologia os processos 
internos como sentimentos, pensamentos e outros. Para se evitar esta interpretao, 
enfatizou-se que comportamento  entendido como toda e qualquer atividade do 
organismo, observvel ou no.
A Psicologia se interessa por todos os tipos de comportamento, mas pretende estud-los na 
medida em que s descritveis, isto , alguns sero estudados diretamente e outros de um 
modo indireto, tal como se manifestam atravs do comportamento observvel.
Tal procedimento se justifica pela necessidade de se atender ao cri trio cientfico da 
objetividade. Para isso, alm de serem observveis, os comportamentos devem ser, 
preferencialmente, passveis de observao pblica, isto , observveis por mais de uma 
pessoa.
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Os dados obtidos apenas pelos depoimentos introspectivos so bas tante questionveis. As 
pessoas, quando relatam suas experincias in ternas, podem, deliberadamente ou no, 
ocultar alguns dados ou, ento, no serem capazes de relatar adequadamente os 
acontecimentos.
A Psicologia, consciente de todas estas dificuldades, busca, na me dida do possvel, usar 
procedimentos objetivos na coleta de dados, o que permitir concluses vlidas sobre o 
comportamento. No entanto, nem sempre isto ser possvel e as vezes ser necessrio 
combinar a des crio subjetiva da experincia com a observao direta da conduta.
ETAPAS E VARIVEIS DA PESQUISA
As pesquisas em Psicologia seguem, de maneira geral, uma seqn cia tpica de etapas. Em 
primeiro lugar, o investigador escolhe o tema da investigao. Logo aps, delimita o 
problema que quer investigar.
Este problema envolve duas ou mais variveis e  a respeito das re laes entre elas que o 
estudioso est interessado.
Um exemplo de problema poderia ser: na escola, o trabalho de grupo promove uma 
aprendizagem mais rpida do que o trabalho in dividual? ou ento, a vitamina X aumenta 
a inteligncia das crian as?.
A seguir,  formulada uma hiptese a respeito do problema.
A hiptese pode ser entendida como uma explicao sugerida para o problema levantado e 
que ser, ento, corroborada ou refutada pela pesquisa.
Nos exemplos dados, as hipteses poderiam ser formuladas assim:
Na escola, o trabalho de grupo resulta numa aprendizagem mais rpi da do que o trabalho 
individual, e, A vitamina X aumenta a intelign cia das crianas.
O investigador da Psicologia est sempre interessado num tipo ou aspecto do 
comportamento e as hipteses que formula procuram es tabelecer as condies 
antecedentes deste comportamento.
No caso do comportamento humano ou animal, as condies an tecedentes so muitas, 
complexas e freqentemente interrelacionadas.
Nestas condies se incluem as variveis ambientais, como luz, som, temperatura, presena 
de outras pessoas, etc. e as variveis da pes soa, como idade, sexo, inteligncia, motivao, 
fadiga, experincias an teriores, etc.
 possvel perceber a dificuldade e enormidade da tarefa do psic logo investigador em 
estabelecer as condies responsveis pelo compor tamento.
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Em geral, a condio que se supe seja a causadora ou influenciado ra do comportamento  
chamada de varivel independente.
O comportamento que est sendo estudado e que, se supe, seja afetado pelas variaes da 
varivel independente,  denominado vari vel dependente.
Assim, nos estudos em Psicologia, quase sempre a varivel depen dente  um tipo particular 
de comportamento (resposta) e a indepen dente  uma varivel do ambiente ou do sujeito.
Nos exemplos acima, o tipo de trabalho desenvolvido na escola (em grupos ou individual) e 
o medicamento X so as variveis independentes das respectivas hipteses, enquanto que a 
rapidez na aprendizagem e a inteligncia das crianas so as variveis dependentes.
So numerosos os procedimentos empregados pela psicologia cien tfica para testar as 
hipteses, isto , para obter informaes sobre o comportamento.
Parece ser possvel descrev-los como combinaes ou variaes de cinco mtodos bsicos: 
a experimentao, a observao, os testes, os levantamentos e os estudos de caso.
Experimentao
O objetivo bsico da abordagem experimental em qualquer cincia  descobrir as condies 
antecedentes necessrias para que um evento possa ocorrer, ou seja, compreender as 
relaes causais envolvidas nos fenmenos sob investigao.
Apesar de ser possvel fazer isto com outros mtodos que no o ex perimental, este  o mais 
indicado para a investigao causal.
Um meteorologista por exemplo, pode listar as condies de tem peratura, umidade do ar e 
outras que julga determinarem a ocorrncia de chuvas e, a partir da observao e registro 
dos fenmenos meteorol gicos, estabelecer a influncia de cada condio na ocorrncia ou 
no de chuvas. Este  o nico mtodo a sua disposio e seguir sendo usado, apesar de 
demorado e de no oferecer, inicialmente, muita certeza nas concluses.
Da mesma maneira, o psiclogo que utiliza o mtodo da observao poder vir a 
estabelecer relaes causais, apesar de no ser este o princi pal objetivo dos procedimentos 
de observao.
O qumico, por outro lado, j tem condies de concluir muito mais rapidamente e com 
elevado grau de certeza, a respeito das reaes que determinada substncia promove sobre 
outra. Este pesquisador pode experimentar para saber a resposta, isto , pode testar vrias 
combina es de substncias, sob muitos graus de temperatura, etc.
Experimentar  provocar o fenmeno que se quer estudar, sob con dies controladas, isto 
, manter sob controle todas as condies rele vantes que possivelmente estejam 
relacionadas ao evento.
Controlar significa tanto eliminar a possibilidade de uma condiQ influenciar o 
evento)quanto manter esta influncia constante ou, ainda, promover uma variao 
sistemtica da condio.
O mtodo experimental se caracteriza pelo controle de variveis. Busca determinar o efeito 
de uma condio particular (varivel indepen dente) sobre um determinado evento (varivel 
dependente) limitando ou eliminando os efeitos de outras condies relevantes (variveis 
de controle).
Assim, sob um controle bem feito, uma alterao na varivel depen dente pode ser atribuda 
a uma mudana na varivel independente, j que os efeitos de outras variveis importantes 
foram mantidos constan tes ou nulos.
Suponhamos que um pesquisador utilize a experimentao para testar a hiptese que o 
medicamento X aumenta a inteligncia das crianas.
Ele poderia administrar a droga a um grupo de crianas durante um determinado perodo e 
testar sua inteligncia depois disto. Os resulta dos poderiam ser comparados com os 
anteriormente obtidos e um even tual aumento nos escores poderia ser detectado.
No entanto, como poderia ter ele a certeza de que este efeito  de vido  droga? Outros 
tatores poderiam ter atuado, como a alimentao, experincias escolares e outros.
Para testar o efeito da droga, ele dever manter constantes todos os outros fatores, para que 
eles no venham a interferir na eventual dife rena observada.
Assim, poderia formar trs grupos de crianas, equiparados quanto ao nmero de sujeitos, 
idade, sexo, classe social, etc., e procurar propor cionar a todos eles a mesma alimentao, 
experincias escolares, etc.
A um dos grupos seria administrado regularmente o medicamento X, ao outro poderia ser 
administrado um placebo, isto , no caso, um medicamento de aparncia idntica ao 
medicamento X mas sem efeito algum, do tipo plula de acar e, finalmente, ao terceiro 
no seria administrado medicamento algum.
A existncia do segundo grupo  necessria j que uma eventual di ferena nos escores do 
teste poderia ser devida a um efeito psicolgi co (motivao, auto-confiana, etc.) por se 
estar ingerindo uma droga que se acredita eficaz.
Neste exemplo, o controle de variveis como sexo, idade, classe so cial, etc., foi feito por 
equiparao dos sujeitos nos diferentes grupos.
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As variveis, como:alimentao experincias escolares, etc., foram man tidas constantes, 
proporcionando-as igualmente aos trs grupos. Os efei tos de variveis como motivao e 
auto-confiana sero controlados atravs do procedimento adotado com o segundo grupo, 
onde estas va riveis so introduzidas tambm como independentes.
Estas so as maneiras mais freqentemente utilizadas pelos psic logos fazer controle de 
variveis.
Chama-se grupo experimental quele grupo onde se introduz o pro cedimento experimental, 
isto , aquele que sofrer os efeitos da varivel independente. Grupo de controle  aquele 
que s difere do experimen tal pela ausncia desta varivel.
No estudo imaginrio que serviu de exemplo, os grupos 1 e 2 seriam os experimentais e o 
3, o grupo de controle.
Os experimentos realmente levados a efeito pelos psiclogos costu mam ser mais 
complicados do que este.
Um experimento dos mais simples, realizado por N. E. Miller, da U niversidade de Yale,  
resumidamente relatado abaixo (extrado de Hen neman, 1974, p. 58).
Este pesquisador procurou responder  questo de se a resistncia  tenso poderia ser 
aprendida o fez utilizando o mtodo experimental com sujeitos animais, no caso, ratos.
Depois de treinar um grupo de ratos albinos a percorrer um labi rinto para obter alimento, 
dividiu-os em dois grupos emparelhados quanto  velocidade de corrida (uma varivel de 
controle).
Aos ratos de um dos grupos passou a aplicar choques eltricos de intensidade gradualmente 
aumentada quando atingiam a parte f i nal do trajeto, ao mesmo tempo em que os 
recompensava com o ali mento.
Este procedimento, de punir com choques e recompensar com ali mento ao mesmo tempo, 
produz nos animais tendncias simultneas de aproximao e esquiva no final do trajeto.
Apesar de diminuir um pouco a velocidade da corrida ao chegar nesta etapa e de mostrar 
sinais de perturbao no comportamento, eles continuavam com velocidade mais ou menos 
estvel a percorrer o traje to at o alimento, suportando, para isso, o choque.
Este grupo foi chamado de gradual porque a intensidade do choque foi sendo aumentada 
gradualmente.
Os animais do outro grupo percorriam o labirinto tantas vezes quanto os do primeiro grupo, 
mas nunca receberam um choque. A denominao deste grupo foi repentino porque 
passaram a receber de forma sbita o choque intenso a que os ratos do primeiro grupo 
haviam sido gradualmente habituados.
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A velocidade de corrida destes animais foi drasticamente modifica da neste grupo.
O pesquisador concluiu que estes animais se mostraram menos capa zes de resistir do que 
os do outro grupo.
A varivel independente neste estudo, isto , a condio manipula da pelo experimentador, 
e que se constituiu na nica diferena entre os dois grupos experimentais, foi o sistema de 
aplicao de choques eltricos: gradual ou repentino, e o que se mediu foi a velocidade do 
comportamento de aproximao do alimento (a varivel dependente que tambm foi 
medida no incio do experimento).
Este exemplo tambm ilustra o estudo de estados internos, no caso, a tenso experimentada 
pelos ratos, atravs de um aspecto do comportamento observvel: a velocidade da corrida. 
Note-se que o pesquisador infere a existncia desta tenso, um estado que n pode ser 
medido diretamente.
A transferncia deste resultado para os seres humanos, isto , de que a resistncia  tenso 
pode ser aumentada por treinamento, n pode ser feita sem maiores estudos, mas a 
observao informal de pessoas que na infncia e adolescncia pouca ou nenhuma 
contrariedade tiveram que suportar para alcanar seus objetivos, parece dar apoio  
concluso.
O mtodo experimental , dentre os mtodos de pesquisa, o que oferece o mais alto grau de 
certeza na concluso, dadas as condies de controle.
A possibilidade de repetio do estudo , tambm, uma importante vantagem da 
experimentao.
No entanto, estas vantagens s acompanhadas de uma limitao importante: a dificuldade em 
generalizar a concluso, j que o compor tamento em estudo dificilmente ser natural numa 
situao controlada e artificial. A generalizao talvez venha a ser obtida com muitas r 
plicas do estudo, feitas pelo mesmo pesquisador ou por outros.
Deve-se levar em considerao, alm, disso, que apesar do grande valor da experimentao 
em Psicologia, muitos comportamentos huma nos, talvez os mais significativos, n s 
suscetveis de investigao ex perimental. Isto acontece porque,si mplesmente  impossvel 
reproduzir, sob condies controladas, todo o conjunto de influncias que operam numa 
situao real.
Observao
Os mtodos de observao podem ser subdivididos em dois tipos: os de observao 
naturalista e os de observao controlada.
O investigador que utiliza a observao naturalista deve unicamente observar, sem interferir 
no comportamento que est observando. Esta observao envolve, portanto, o estudo do 
comportamento natural, espontneo, ocorrendo no ambiente real da vida cotidiana.
Este mtodo mostra-se especialmente indicado para o estudo de certos tipos de conduta, 
como a infantil, a social, os costumes de pessoas de culturas diferentes, enfim, todos os 
comportamentos que, numa situao diferente da cotidiana, ou n ocorreriam ou seriam to 
artifi ciais que nenhuma concluso vlida poderia ser obtida da sua observao.
A observao naturalista  o mtodo bsico de praticamente todas as cincias seus 
primeiros estgios de desenvolvimento e permite es tabelecer a incidncia relativa de vrios 
tipos de comportamento. No caso de um mesmo comportamento ser comparado ao de 
diversas a- mostras de caractersticas diferentes, podero vir a ser estabelecidas re laes 
gerais.
Um exemplo de estudo que empregou o mtodo da observao na turalista  o de Beli e 
Ainsworth (1972, descrito por McGurk, 1976).
Este estudo investigou o choro e outras formas de comunicao infantil durante o primeiro 
ano de vida.
Compreendeu uma amostra de vinte e seis pares me-filho, cujas casas foram visitadas uma 
vez cada trs semanas durante o primeiro ano de vida do beb. Cada visita durava quatro 
horas e, neste perodo, um observador anotava quantas vezes o beb chorou, quanto tempo 
durou o choro e de que modo se comportou a m em cada vez que o beb chorou.
Deve-se considerar que, apesar de ter previamente consentido com as visitas do observador, 
as mes poderiam se sentir constrangidas com sua presena e reagir de maneira n habitual 
ao choro do beb. Se isto acontecesse, o estudo deixaria de obter concluses vlidas.
Para evitar esta dificuldade, as mes no foram informadas do ver dadeiro objetivo do 
estudo e, tambm,  de se supor que elas se acostu maram com a presena do observador, 
dado o nmero relativamente grande de observaes.
A partir dos dados coletados por este estudo, Bell e Ainsworth descobriram que os bebs 
que receberam imediata ateno de suas mes sempre que choraram nos primeiros meses de 
vida, choravam menos ao atingir um ano de idade ,do que os bebs cujas mes demoraram 
para atend-los (o que contraria a suposio de que os bebs prontamente atendidos 
aprenderiam a chorar mais para obter a ateno de suas mes).
O principal atrativo do mtodo da observao naturalista consiste
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no fato de possibilitar concluses com um elevado grau de generali zao, j que estuda 
comportamentos espontneos em situaes reais.
Contudo, esta mesma caracterstica introduz no mtodo sua prin cipal deficincia, visto que 
o observador no possui controle algum so bre as inmeras variveis que influenciam o 
comportamento dos sujei tos em qualquer etapa da observao.
Assim, o estudioso muitas vezes nada pode concluir a respeito da varivel ou variveis que 
exerceram uma influncia causal sobre o com portamento observado.
Alm disso, o mtodo costuma requerer muito tempo. Freqente mente so necessrias 
horas de observao para que se possa perceber fragmentos de comportamento, como, por 
exemplo, agresso numa criana em uma determinada situao. H que se aguardar, as ve 
zes, muito tempo para que o mesmo comportamento se repita, em con dies semelhantes. 
Aceita-se, igualmente, o risco de que o comporta mento desejado nunca ocorra no 
indivduo ou indivduos observados.
Uma outra dificuldade  o risco de subjetividade, isto , a tendncia humana universal de 
perceber o que se quer perceber e no o que real mente acontece.
Para minimizar este risco e outros problemas, os pesquisadores costumam colocar em 
prtica alguns procedimentos que aumentam a preciso do mtodo, como:  treinamento 
prvio dos observadores (pessoas treinadas tm mais chance de perceber os fatos quando 
eles se do);  atuao simultnea de vrios observadores (o que permite averiguar a 
concordncia ou discordncia das observaes);  observa o de um nico tipo de 
comportamento por vez (a observao de to dos os tipos de comportamento no ser to 
precisa);  definio deta lhada e objetiva do comportamento a ser observado (o que pode 
evitar muita discordncia entre observadores);  amostragem de tempo (isto , determinar 
perodos, em geral curtos e variados, em que deve ser efetuada a observao);  registro, o 
mais completo possvel, e an lise dos dados quantitativos (o que confere maior 
objetividade) e, fi nalmente,  a utilizao de aparelhagem auxiliar para a observao 
(como gravadores e filmadoras, que podem registrar os dados de manei ra mais completa e 
objetiva que o ser humano).
A observao tambm pode ser feita mantendo-se um certo grau de controle sobre o meio 
em que o comportamento ocorre. Neste caso, denomina-se o mtodo de observao 
controlada.
A principal vantagem da observao controlada  a possibilidade de limitar a influncia das 
variveis extrnsecas sobre o comportamento ou
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de introduzir deliberadamente uma variao no meio para avaliar o seu
efeito sobre o comportamento em estudo.
Num estudo de observao controlada, o pesquisador pode, por exemplo, esconder-se atrs 
de um espelho unidirecional e minimizar as possveis influncias de sua presena sobre o 
comportamento do obser vado.
o que costumam fazer os pesquisadores que estudam a reao infantil a situaes estranhas 
e pessoas desconhecidas. Em geral, a me e o beb so introduzidos numa sala equipada 
com dispositivos de viso unilateral, O beb  colocado no cho onde so espalhados 
previamente muitos brinquedos e a me permanece sentada numa cadeira, na mesma sala. 
O comportamento exploratrio do beb  observado e registrado atravs do vidro 
unidirecional e, a um sinal do investigador, a me sai da sala, deixando a criana sozinha no 
ambiente estranho. Tambm  possvel fazer com que um estranho entre na sala, com a me 
presente ou ausente.
Estudos que empregaram estes procedimentos concluem que a pre sena da me tem um 
efeito facilitador sobre o comportamento explo ratrio do beb, enquanto que a presena de 
uma pessoa estranha tem um efeito inibidor (McGurk, 1976, p. 95-96).
O mtodo da observao controlada tem muito em comum com o da observao naturalista, 
sendo tambm sua principal vantagem o com portamento espontneo, Alm disto, ao 
possibilitar algum controle sobre as variveis ambientais, permite concluses mais 
fidedignas a res peito da influncia de certos fatores sobre o comportamento observado.
Ao mesmo tempo, porm, o fato do ambiente ser quase sempre es tranho ao sujeito pode 
promover comportamentos atpicos (apesar de espontneos), o que limitaria o grau de 
generalizao das concluses.
Levantamento
Mtodo tambm denominado de estudo exploratrio.
Os psiclogos interessados em estudar os costumes sociais, as varia es nos costumes de 
uma cultura para outra, preferncias de um pbli co consumidor, determinadas atitudes de 
uma populao, e outras ques tes, adotam um mtodo parecido com os usados por 
socllogos, antro plogos culturais e economistas. Fazem entrevistas ou aplicam ques 
tionrios eJassim)sao capazes de obter informaes muito significativas sobre uma 
determinada populao e, mesmo, de demonstrar relaes existentes entre o comportamento 
caracterizado e outros fatores ou comportamentos.
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O pesquisador decide antecipadamente,a respeito do comportamen to que quer investigar e 
simplesmente pergunta s pessoas como elas se comportam, como se sentem, do que 
gostam, etc.
As questes do instrumento utilizado (roteiro de entrevista, questio nrio ou escala de 
atitudes) devero ser muito bem elaboradas, para no ter sentido ambgo e nem induzir as 
respostas.
Outro cuidado especial deve ser tomado quanto  escolha das pes soas que sero includas 
no levantamento, pois elas precisam ser uma amostra realmente representativa da 
populao inteira.
As pesquisas sobre atitudes sociais fornecem bons exemplos de le vantamento ou estudo 
exploratrio
O estudo de Hyman e Sheatsley (1954, descrito por Henneman, 1974, p. 69-70) utilizou 
uma escala que media autoritarismo para mos trar a relao entre esta caracterstica e o 
nvel educacional. O estudo concluiu que indivduos com curso universitrio so, em geral, 
mais li berais em seus pontos de vista do que as pessoas que tm apenas educa o 
elementar. Estas revelam maior tendncia para o autoritarismo.
 preciso no se deixar levar pela aparente concluso que o nvel educacional determina o 
autoritarismo. As duas variveis esto apenas relacionadas; muitos outros fatores, como 
nvel scio-econmico, edu cao familiar, etc., contribuem para a formao do 
autoritarismo.
Em outras palavras, os levantamentos podem oferecer correlaes, isto , podem mostrar 
que duas variveis esto relacionadas, mas no estabelecem qual delas  a causa e qual  o 
efeito.
Pelo mtodo de levantamento, por exemplo, demonstrou-se existir uma relao positiva 
entre sade mental e casamento, mas isto no nos diz se a sade mental determina ou  
determinada pelo casamento.
Esta ausncia de relao causal  uma das principais limitaes do mtodo, mas outras 
poderiam ser apontadas, como por exemplo, o ris co que sempre se corre das pessoas 
selecionadas,para compor a amostra se recusarem a oferecer informaes ou de 
distorcerem-nas.
No se deve desprezar, tambm, a possibilidade da distoro ocorrer por efeito do 
comportamento do prprio pesquisador.
A par destes problemas, o levantamento, quando combina entrevis ta e questionrio, pode 
ser mais objetivo, til para se extrair concluses sobre um grande nmero de pessoas, alm 
de ser um mtodo relativa mente rpido e barato.
Teste
Costuma-se classificar os testes psicolgicos em dois grandes tipos:
os que exigem da pessoa o seu desempenho mximo, chamados de tes
tes de capacidade ou de realizao, e os que solicitam respostas em ter mos de 
comportamento costumeiro, denominados testes de personalida de.
Entre os primeiros esto os testes de inteligncia e aptides especfi cas como, por exemplo, 
raciocnio espacial, mecnico, habilidade nu mrica, rapidez, ateno e outros.
So avaliadas pelos testes de personalidade caractersticas como ati tudes, interesses e 
traos de personalidade em geral.
Os testes de capacidade so considerados mais objetivos que os de
personalidade, j que no dependem do que o indivduo est disposto
a relatar sobre si mesmo. Indicam o que o indivduo pode fazer (e no
o que ele afirma que pode realizar) e como so tarefas padronizadas,
sempre contm instrues para sua aplicao e interpretao.
Sob condies controladas, apresenta-se a cada sujeito uma srie idntic a de estmulos, que 
so os itens do teste. As respostas so avalia das objetivamente j que existem critrios pr-
determinados para isso.
Como tambm se costuma chamar de testes aos questionrios e escalas 1 no mtodo do 
levantamento, alguns autores consideram o levantamento como uma modalidade do mtodo 
de testes (ver, por exemplo, Edwards, 1973, p. 19-20).
Um bom teste  o que possui um alto grau de fidedignidade ou pre ciso, isto ,  aquele 
que permite encontrar o mesmo resultado em a plicaes diferentes, para um mesmo 
indivduo e, alm disto,  o que possui, tambm, um alto grau de validade, ou seja,  um 
instrumento que realmente mede o que diz medir.
No se deve pensar que s existam testes de lpis-e-papel. Muitos so os testes que 
empregam outros materiais ou que exigem do sujeito respostas orais ou outras reaes que 
no se escrevem.
Os testes tm muitos empregos, mas os principais so: predizer o xito futuro numa 
atividade (como escola ou trabalho), ajuizar sobre a presena atual de determinadas 
proficincias e diagnosticar desajustes comportamentais.
Qualquer destes objetivos pode estar presente quando se utiliza o teste numa pesquisa 
cientfica. Note-se, no entanto, que a aplicao do teste e a coleta dos dados que ele 
proporciona no necessariamente  o objetivo bsico da pesquisa.
Algumas vezes o teste  administrado antes de um experimento pa ra se equiparam os 
sujeitos segundo determinada caracterstica e. outras vezes, depois de um tratamento 
experimental, para avaliar os seus efei tos. Pode, ainda, ser aplicado antes e depois de um 
determinado trata mento, o que permite ajuizar com maior preciso os resultados (como, 
por exemplo, nos chamados estudos de enriquecimento ou interveno,
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proporcionados a crianas de classes sociais economicamente desfavore cidas).
As vantagens mais apontadas do mtodo de testes so a objetivida de e o relativamente 
pequeno tempo necessrio para se chegar aos resul tados finais.
No entanto, apesar destas vantagens, o mtodo tem limitaes. No so todos os aspectos 
do comportamento passveis de mensurao por teste. Alguns testes, como os de 
personalidade, esto sujeitos a fraude e m interpretao dos itens. Outros erros podem ser 
devidos  m apli cao.
Um problema comum com os testes  que eles costumam ser vistos como frmulas 
mgicas para se saber coisas sobre as pessoas e, a par tir dos resultados de um teste, as 
pessoas so rotuladas.
Pode-se imaginar os muitos efeitos negativos de um rtulo, co mo na formao da 
personalidade de uma criana, por exemplo.
Alm disso, uma deficincia marcante deste mtodo  que ele inter fere no comportamento 
a ser avaliado, visto que os estmulos e situa es de escolha so fornecidos pelo 
investigador. Isto pode resultar em certa soma de artificialismo no comportamento e, assim, 
a possibilida de de generalizao dos resultados fica limitada.
Estudo de Caso
O estudo de caso (ou histrico de caso, ou mtodo clnico) tem como objetivo primordial 
ajudar pessoas com algum tipo de problema. Inicialmente, portanto, o psiclogo clnico no 
est interessado em for mular princpios gerais do comportamento, mas sim avaliar correta 
mente as dificuldades particulares do indivduo para poder ajud-lo, apoiado,  claro, em 
modelos tericos adequados.
Para auxiliar o indivduo, o psiclogo coleta informaes sobre ele. As informaes so 
provenientes principalmente de entrevistas, mas tambm podero ser utilizados testes e 
observao. Todos os dados, in cluindo a histria passada do indivduo, seu exame fsico e 
ficha clni ca, informaes a respeito de relaes familiares, dificuldades anterio res, etc., 
constituiro a base para o diagnstico da dificuldade a que o psiclogo chegar sozinho ou 
junto a uma equipe (que pode incluir assistentes sociais, mdicos e outros psiclogos)
A abordagem clnica, apesar de no objetivar primeiramente as leis gerais do 
comportamento, pode chegar a elas atravs da comparao de um grande nmero de 
estudos de casos semelhantes se algum aspecto importante.
Costuma-se apontar como principal valor do estudo de caso o fato
de ser o nico aplicvel para se estudar o comportamento desajustado.
Realmente, foi com a utilizao bsica deste mtodo que Freud che gou s importantes c 
sobre o comportamento humano que fundamentam a psicailise.
Alguns psiclogos, no entanto, afirmam que este mtodo no  rigo rosamente cientfico 
visto que lida com comportamentos no repet veis, no se encontra nele controle e nem 
possibilidade de quantificao.
Alm disso, a subjetividade se faz presente de maneira marcante, visto que o diagnstico do 
caso est sujeito  interpretao individual do psiclogo, baseando-se na sua prpria 
experincia e tendncias teri cas.
Apesar destas dificuldades todas, o mtodo de estudo de caso tem se mostrado til e 
continuar sendo utilizado, mas seria desejvel que se introduzisse, sempre que possvel, 
tcnicas de estudo que lhe conferissem maior produtividade e concordncia nos 
procedimentos de diagnstico e terapia.
A ESTATISTICA EM PSICOLOGIA
A Psicologia, assim como qualquer cincia, envolve a mensurao dos fenmenos e disto 
costumam resultar dados numricos. Por exem plo, nmero de vezes que um 
comportamento foi observado, diferen a de pontos entre dois grupos experimentais, 
freqncia de uma res posta num levantamento ou teste, etc.
Para lidar com estes nmeros, o psiclogo vale-se da estatstica.
Parece ser possvel apontar duas finalidades principais do emprego da estatstica pela 
Psicologia: a descrio e a interpretao dos dados coletados pela pesquisa.
A estatstica descritiva auxilia o psiclogo a organizar os dados em tabelas, a represent-los 
graficamente, a calcular as medidas de tendn cia central, etc.
A estatstica inferencial  a que permite interpretar os dados, che gar a concluses atravs 
deles. Esta anlise dos dados , sem dvida emprego importante da estatstica em 
Psicologia, sem o qual no pode ria avanar a cincia como tal.
A QUESTO TICA
Quando esto envolvidos seres humanos como sujeitos numa pesqui sa, surgem 
naturalmente consideraes de ordem tica.
Ser vlido submeter pessoas  observao que elas saibam dis 
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to e o tenham permitido? O psiclogo tem o direito de sujeitar pessoas a experimentos? 
Alguns testes n podem causar danos, de algum tipo, nos indivduos?
O procedimento usual dos psiclogos  empregar, como sujeitos de suas pesquisas, pessoas 
que previamente s consultadas e concordam com isto, ou, no caso de crianas, depois de 
haver obtido a autorizao dos pais.
No entanto, nem sempre isto  possvel. No mtodo da observao, por exemplo, o simples 
fato do indivduo saber que est sendo observa do altera consideravelmente o seu 
comportamento. Nestes casos, cos tuma-se proceder ao estudo e, depois de concludo, 
comunicar s pes soas que elas estiveram sendo observadas, os objetivos da pesquisa e suas 
concluses. O que acontece, em geral,  que as pessoas compreendem o procedimento e 
autorizam a publicao do estudo.
Para resumir e finalizar este tpico, qualquer que seja o mtodo de estudo,  
responsabilidade do investigador garantir que nenhuma pessoa sofra qualquer tipo de dano 
por ter participado de uma pesquisa como sujeito.
QUESTES
1. Descreva a sequncia tpica de etapas da pesquisa em Psicologia.
2. O que se entende, na investigao cientfica, por varivel independente, depen dente e de 
controle?
3. Elaborar, para fins de exerccio, uma hiptese de pesquisa e apontar as variveis 
independentes, dependentes e as de controle.
4. Caracterizar cada um dos mtodos bsicos de pesquisa psicolgica, apontando tambm 
suas principais vantagens e limitaes.
5. Quais os principais objetivos do emprego da estatstica em Psicologia?
6. Como se coloca, de maneira geral, a Psicologia, em relao  questo tica envolvida em 
suas investigaes?
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